terça-feira, 3 de abril de 2018

CORNÍFERO, O DEUS DA FERTILIDADE



Queridíssimo amigo diário,

            Eis-me aqui novamente, depois de um longo período ausente. E cá estou hoje tão somente para contar-lhe um pouco da história de um sujeito que conheci nesse meu período de ausência. Trata-se de CORNÍFERO, um deus mitológico que, quando criança, deve ter sofrido muito esse tal de BULLYNG devido ao seu nome.
            O deus Cornífero é uma das duas principais divindades encontradas na Wicca e algumas formas relacionadas de Neopaganismo. O termo deus Corníferi é anterior à Wicca, e é um termo sincrético do início do século XX para um deus antropomórfico com chifres ou antleros com origens pseudohistóricas, parcialmente baseadas em deidades masculinas com chifres, a partir de uma gama de mitologias, mesmo que historicamente não relacionadas.
            Essas divindades incluem, por exemplo, o celta Cernuno, os gregos Pan, Dionísio, Apollo e sátiros, e mesmo pinturas rupestres do Paleolítico como "o Bruxo" ("Le Sorcière") na caverna francesa de Le Trois Frères. Os Panteões tradicionais dos deuses corníferos são os europeus, pois que aí se deu o berço de suas crenças.
            O deus Cornífero para um Bruxo é o Consorte da Deusa Mãe, a Criadora e Incriada. Esta é a visão dos Neopagãos na religião Wicca.
            O deus Cornífero é o deus fálico da fertilidade. Geralmente é representado como um homem de barba com casco e chifres. Ele é o guardião das entradas e do círculo mágico que é traçado para o ritual começar. É o deus dos bosques, o rei do carvalho e do azevinho e senhor das matas. É o deus que morre e sempre renasce. Seus ciclos de morte e vida representam nossa própria existência.
            A mais antiga imagem conhecida do deus Cornífero é aquela do deus com chifres de cervo ou alce, o Senhor das Florestas. Com o passar do tempo, à medida que a humanidade se tornava sedentária, passando da fase coletora para o desenvolvimento de uma agricultura e a domesticação de animais, surgem as imagens do deus com chifres de touro, carneiro, veado e bode. Em todo caso, todas essas imagens o representam como o deus portador da renovação e da virilidade.
            O antigo Cornífero é o Caçador das Florestas, o Homem Verde, o Senhor dos Animais, o ctônico e escuro Senhor das Sombras que habita o submundo, o Senhor da Morte. O deus em seu único aspecto celeste representa o Sol – representando o pilar masculino, porém seus principais atributos, que o concretizam como o deus na Wicca, são esses citados.
            Com o surgimento da agricultura, o deus torna-se associado às culturas agrícolas, como o Senhor das Colheitas, que se oferece em sacrifício para que a humanidade possa sobreviver. A origem dos ritos da comunhão é muito antiga, quando o povo consumia a natureza divina transformada em pão e vinho, unindo-se ao seu espírito. Esses ritos estavam intimamente ligados aos mistérios da transformação e reencarnação, e eram retratados nos ciclos do reino vegetal e no mito da Roda do Ano ou calendário w

terça-feira, 7 de outubro de 2014

ATALANTA E HIPOMENES: UMA HISTÓRIA DE AMOR


Queridíssimo amigo Diário,

Depois de um longo e tenebroso inverso, cá estou eu hoje para relatar a linda e trágica história entre Atalanta e Hipomenes.
Logo depois de seu nascimento Atalanta foi abandonada numa floresta por seu pai que desejava descendentes masculinos. Nas montanhas uma ursa amamentou a criança. Certa vez, quando uns caçadores passavam por aquela região, encontraram a criança, levaram-na e a criaram. Atalanta cresceu nas frescas montanhas recobertas de florestas, tornando-se forte e ágil como uma gazela e seu maior prazer era caçar com sua lança.
Em Calidon os primeiros frutos da colheita deviam ser sacrificados aos deuses. Infelizmente o rei Eneus esqueceu-se do sacrifício e, por isso, Artemis furiosa com a negligência enviou sobre o seu reino um enorme e furioso javali, que destruia plantações e colheitas. O rei mandou chamar os mais nobres homens para lutar contra o terror e o vencedor receberia a pele do javali. No entanto, como nenhum homem conseguisse vencê-lo, Atalanta se ofereceu e conseguiu lutar e vencer o terrível javali.
Assim Atalanta conquistou a reputação de grande caçadora. Seu pai a procurou levando-a para seu reino. Ela tinha o rosto muito masculino para uma mulher e. ao mesmo tempo, muito feminino para um homem. Sobre seu destino foi-lhe revelado: “Não te cases, Atalanta, porque o casamento será tua ruína”.
Essa predição a atemorizou de tal forma que ela decidiu fugir da companhia dos homens, dedicando-se inteiramente aos exercícios corporais e à caça. Quando algum pretendente à sua mão tornava-se mais insistente, ela geralmente se livrava da perseguição impondo-lhe uma regra: “Eu serei o prêmio daquele que conseguir vencer-me numa corrida, mas a morte será o castigo de quem tentar e perder”.
Apesar do risco que acompanhava essa proposta, muitos candidatos já haviam tentado conquistá-la sem sucesso e em todas as oportunidades o jovem Hipomenes tinha sido o juiz da disputa. A princípio ele se perguntava indiferente: “Será possível que alguém seja tão louco a ponto de arriscar sua vida desse modo, só para conquistar uma esposa?”. Até que um dia ao vê-la tirar as vestes para disputar uma das provas, ele entendeu a razão pela qual os interessados continuavam a chegar, e murmurou consigo mesmo: “Perdoai-me jovens, eu não sabia qual era o prêmio que irias disputar”.
Hipomenes passou a desejar que todos os candidatos fossem derrotados. Esse sentimento crescia e se tornava mais forte a cada vez que o rapaz via a virgem correr. Para ele, nesses momentos ela ficava ainda mais bela, mais desejável, com os cabelos soltos agitando-se sobre os ombros e o rubor do esforço físico lhe coloria a face. Ao mesmo tempo, a brisa parecia dar-lhe asas aos pés e assim os concorrentes ficavam para trás, distanciados e eram mortos impiedosamente ao final da disputa.
Certo dia Hipomenes não mais se conteve e, fixando seus olhos nos olhos de Atalanta, ele disse: “Por que te vanglorias de vencer esses lerdos? Eu me ofereço para a disputa”. Sem saber o que responder, Atalanta apenas pensou: “Que deus pode tentar um homem tão jovem e tão belo a se arriscar dessa maneira? Tenho pena dele, não por causa de sua beleza mas sim porque é tão moço. Bom seria que desistisse ou caso seja tão louco para insistir, que me vencesse”.
Diante da sua hesitação de Atalanta, os espectadores reagiram. Enquanto isso, Hipomenes implorava ajuda de Afrodite, deusa do amor: “Ajude-me, senhora, pois foste tu que me impeliste a amá-la”. Ouvindo a súplica, Afrodite que tinha nos jardins uma árvore de folhas e ramos amarelos com frutos de ouro, colheu três frutos e sem que ninguém notasse, os entregou a Hipomenes, já posicionado na linha de partida, ensinando-o como usá-los.
Dado o sinal de largada, Atalanta e Hipomenes partiram na corrida incentivados pela plateia. Logo Hipomenes começou a respirar com dificuldade, sentindo a garganta seca, as pernas se tornando pesadas, o ímpeto diminuindo, apesar da meta ainda se encontrar distante. Seguindo as instruções de Afrodite, Hipomenes deixou cair uma das maçãs de ouro e Atalanta admirada parou para pegá-la, permitindo que Hipomenes ganhasse dianteira.
Mas Atalanta voltou a correr e logo alcançou o adversário. Ao percebê-la Hipomenes largou a segunda maçã. Novamente Atalanta parou para pegá-la mas reiniciou a corrida aproximando rapidamente do desafiante. Quando estava quase a ultrapassá-lo, próximo da linha de chegada, Hipomenes viu que só lhe restava apenas uma oportunidade e mais uma vez suplicou para Afrodite: " Oh deusa, faça frutificar tua dádiva" e jogou a última maçã de ouro.
Enquanto Atalanta se distraiu com a árvore de ouro que crescia, Hipomenes venceu a corrida. Atalanta ficou satisfeita com o presente de Afrodite e Hipomenes por ter conseguido vencer. Porém, felizes na comemoração se esqueceram de agradecer à deusa Afrodite. Com essa ingratidão não ficaram impunes os ofensores: a deusa Cibele que punia a ingratidão os fez perder a forma humana: Atalanta foi transformada em leoa e Hipomenes em um leão. Eles foram atrelados ao carro da deusa, onde ainda podem ser vistos em todas as suas representações, na escultura e na pintura.
Pois é, querido amigo Diário, a profecia se cumpria: o casamento acabou sendo a ruína Atalanta.



domingo, 25 de maio de 2014


GAIA, A MÃE DA TERRA


Queridíssimo amigo diário,

Após um longo período afastado de você, cá estou eu trazendo-lhe algumas novidades: a primeira é que a minha ausência deveu-se ao fato de - após um passeio despretensioso - eu ter me perdido nos confins do planeta Terra. A segunda novidade é presença de Gaia em minha vida. Foi ela quem me libertou de lá e me mandou de volta ao Olimpo.
Dizem os estudiosos que Gaia é a Mãe Terra, que é um elemento primordial e latente de uma potencialidade geradora incrível. Segundo Hesíodo, no princípio de tudo surge o Caos, e do Caos nascem Gaia, Tártaro, Eros (o amor), Érebo e Nix (a noite).
Ainda de acordo com esses estudiosos, Gaia gera sozinha Urano, Ponto e as Óreas (as montanhas). Ela gerou Urano, seu igual, com o desejo de ter alguém que a cobrisse completamente, e para que houvesse um lar eterno para os deuses "bem-aventurados".
Com Urano, Gaia gerou os 12 Titãs: Oceano, Céos, Crio, Hiperião, Jápeto, Teia, Reia, Têmis, Mnemosine, a coroada de ouro Febe e a amada Tétis; por fim nasceu Cronos, o mais novo e mais terrível dos seus filhos, que odiava a luxúria do seu pai.
Urano e Gaia geraram, ainda, os Ciclopes e os Hecatônquiros (Gigantes de Cem Mãos e Cinquenta Cabeças). Entanto, sendo capaz de prever o futuro, Urano temeu o poder de filhos tão grandes e poderosos e os encerrou novamente no útero de Gaia. Ela, que gemia com dores atrozes sem poder parir, chamou seus filhos Titãs e pediu auxílio para libertar os irmãos e se vingar do pai. Somente Cronos aceitou.
Gaia então tirou do peito o aço e fez a foice dentada. Colocou-a na mão de Cronos e os escondeu, para que, quando viesse Urano, durante a noite não percebesse sua presença. Ao descer, Urano, para se unir mais uma vez com a esposa, foi surpreendido por Cronos, que atacou-o e castrou-o, separando assim o Céu e a Terra. Cronos lançou os testículos de Urano ao mar, mas algumas gotas caíram sobre a terra, fecundando-a. Do sangue de Urano derramado sobre Gaia, nasceram os Gigantes, as Erínias as Melíades. Após a queda de Urano, Cronos subiu ao trono do mundo e libertou os irmãos. Mas vendo o quanto eram poderosos, também os temia e os aprisionou mais uma vez. Gaia, revoltada com o ato de tirania e intolerância do filho, tramou uma nova vingança.
Quando Cronos se casou com Reia e passou a reger todo o universo, Urano lhe anunciou que um de seus filhos o destronaria. Ele então passou a devorar cada recém nascido por conselhos do pai. Mas Gaia ajudou Reia a salvar o filho que viria a ser Zeus. Reia então, em vez de entregar seu filho para Cronos devorar entregou-lhe uma pedra, e escondeu seu filho em uma caverna.
Já adulto, Zeus declarou guerra ao pai e aos demais Titãs com a ajuda de Gaia. E durante cem anos nenhum dos lados chegava ao triunfo. Gaia então foi até Zeus e prometeu que ele venceria e se tornaria rei do universo se descesse ao Tártaro e libertasse os três Ciclopes e os três Hecatônquiros.
Ouvindo os conselhos de Gaia, Zeus venceu Cronos, com a ajuda dos filhos libertos da Terra e se tornou o novo soberano do Universo. Zeus realizou um acordo com os Hecatônquiros para que estes vigiassem os Titãs no fundo do Tártaro. Gaia pela terceira vez se revoltou e lançou mão de todas as suas armas para destronar Zeus.
Num primeiro momento, ela pariu os incontáveis Andróginos, seres com quatro pernas e quatro braços que se ligavam por meio da coluna terminado em duas cabeças, além de possuir os órgãos genitais femininos e masculinos. Os Andróginos surgiam do chão em todos os quadrantes e escalavam o Olimpo com a intenção de destruir Zeus, mas, por conselhos de Têmis, ele e os demais deuses deveriam acertar os Andróginos na coluna, de modo a dividi-los exatamente ao meio. Assim feito, Zeus venceu.
Em uma outra oportunidade, Gaia produziu uma planta que ao ser comida poderia dar imortalidade aos Gigantes; todavia a planta necessitava de luz para crescer. Mas ao saber disto Zeus ordenou que Hélio, Selene, Eos e as Estrelas não subissem ao céu, e escondido nos véus de Nix, ele encontrou a planta e a destruiu. Mesmo assim Gaia incitou os Gigantes a colocarem as montanhas umas sobre as outras na intenção de subir o céu e invadir o Olimpo. Mas Zeus e os outros deuses venceram novamente.
Como última alternativa, enviou seu filho mais novo e o mais horrendo, Tifão para dar cabo dos deuses e seus aliados, mas os deuses se uniram contra a terrível criatura e depois de uma terrível e sangrenta batalha, eles conseguem vencer o último filho de Gaia.
Enfim, Gaia cedeu e acordou com Zeus que jamais voltaria a tramar contra seu governo. Dessa forma, ela foi recebida como uma titã Olímpica. Mas para chegar ao Olimpo, ela precisaria de um guia. E foi aí que entrei na história. Ela encontrou-me chorando e quis saber o porquê das minhas lágrimas. Contei-lhe que morava no Olimpo e que ali eu estava perdido. Daí ela me fez uma proposta: se eu lhe mostrasse o caminho que leva a Olimpo, ela me libertaria da Terra. E aqui estou eu, amigo diário, contando-lhe a história dessa minha nova (e pouco confiável) amiga.



quarta-feira, 20 de março de 2013


AS GÓRGONAS

Caríssimo diário,

            Ausentei-me por um bom tempo, entanto, jamais deixei de buscar informações sobre as lendas e mitos que circundam o Olimpo. E entre os relatos dos mais antigos, encontre um que me chamou muito a atenção e deixou-me deveras encantado: a história das Górgonas.
Segundo me fora relatado, Górgonas são criaturas da mitologia grega, representadas como monstros ferozes, de aspecto feminino e com grandes presas.e que têm o poder de transformar todos que olham-nas em pedra, o que fazia com que, muitas vezes, imagens suas fossem utilizadas como uma forma de amuleto. As górgonas também vestiam um cinto de serpentes entrelaçadas.
Na mitologia grega tardia, dizia-se que existiam três górgonas (as três filhas de Fórcis e Ceto): Medusa (a “impetuosa"), Esteno (a “opressora”) e Euríale..
Como a mãe, as górgonas eram extremamente belas e seus cabelos eram invejáveis; todavia, eram desregradas e sem escrúpulos. Isso causou a irritação dos demais deuses, principalmente de Atena, a deusa da sabedoria, que admirou-se de ver que a beleza das górgonas as fazia exatamente idênticas a ela. Atena, então, para não permitir que deusas iguais a ela mostrassem um comportamento maligno, tão diferente do seu, deformou-lhes a aparência, determinada a diferenciar-se, transformando os belos cachos das irmãs em ninhos de serpentes letais e violentas, que picavam suas faces. Transformou, ainda, seus belos dentes em presas de javalis e seus pés e mãos macias em bronze frio e pesado. Não bastasse isso, cobriu suas peles com escamas douradas. E para terminar, Atena condenou-as a transformar em pedra tudo aquilo que pudesse contemplar seus olhos. Assim, o belo olhar das górgonas se transformou em algo perigoso. Envergonhadas e desesperadas por seu infortúnio, as górgonas fugiram para o Ocidente, e se esconderem na Ciméria, conhecido como "o país da noite eterna".
Porém, mesmo monstruosa, Medusa foi assediada por Poseídon, que amava Atena. E para vingar-se, Medusa cedeu ao assédio de Posseídon, que desposou-a. Após isso, Posseídon fez com que Atena soubesse que ele desposara aquela que era sua semelhante. Atena sentiu-se tão ultrajada que tomou de Medusa sua imortalidade, fazendo-a a única mortal entre as górgonas. Em outras versões, Atena amaldiçoou as górgonas justamente porque quando Medusa ainda era bela, ela e Posseidon se uniram em um templo de Atena. Justamente por isso, a deusa ficou ultrajada e as amaldiçoou.
            Como você pode ver, amigo diário, o Olimpo é cheio de histórias: algumas horripilantes, outras simplesmente fantásticas!...

Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 18 de março de 2013

PÉGASO, O CAVALO ALADO


Meu querido diário,

            Depois de um longo e tenebroso inverno, resolvi folhear suas páginas e notei que há muito tempo não escrevo-lhe nada. E relendo o que já foi escrito, algumas histórias foram, fantasticamente, surgindo em minha mente. Notei, ainda, que em meio aos meus escritos não foi relatado o meu encontro com Pégaso, o cavalo alado cujo simbolismo está ligado à imortalidade.
Diz a lenda que a figura de Pégaso é originária da mitologia grega, presente no mito de Perseu e Medusa, e que ele nasceu do sangue de Medusa quando esta foi decapitada pelo filho de Danae com Zeus. Medusa (monstro que transformava em pedra qualquer um que olhasse em seus olhos) estava grávida de Poseidon naquela época. Havendo feito brotar, com uma patada, a fonte Hipocrene, Pégaso tornou-se o símbolo da inspiração poética.
Há, também, relatos de que após ter matado a poderosa Quimera (figura mística caracterizada por uma aparência híbrida de dois ou mais animais), Belerofonte montou Pégaso - após domá-lo com ajuda de Atena e da rédea de ouro - e em seguida tentou usá-lo para chegar ao Olimpo. Mas Zeus fez com que o cavalo alado derrubasse seu cavaleiro, fazendo-o ser picado por uma vespa, e Belerofonte morreu devido à grande altura. Zeus o recompensou transformando-o na constelação de pegasus, onde deveria - dali em diante - ficar à serviço do deus dos deuses.
Pois é, querido diário!... fiquei sabendo que quando Zeus mandou aquela vespa picar Belerofonte e este caiu do cavalo alado, Atena ordenou que o chão ficasse macio. Dessa forma, o cavaleiro de Pégaso não morreria com a queda, mas essa é uma outra história que, após saber melhor dos detalhes, aqui escreverei num futuro bem próximo.

terça-feira, 25 de setembro de 2012


A LENDA DE PERSEU

Meu querido diário,

Nessas minhas andanças pelo Olimpo, ouço inúmeras histórias sobre heróis e vilões, mitos e lendas, deuses e titãs, musas e ninfas... E o personagem da vez é Perseu, herói mítico grego que decapitou a Medusa, monstro que transformava em pedra qualquer um que olhasse em seus olhos.
Perseu era filho de Zeus, que, sob a forma de uma chuva de ouro, introduziu-se na torre de bronze e engravidou Dânae, a filha mortal de Acrísio, rei de Argos. Não acreditando que sua filha estivesse grávida de Zeus, Acrísio colocou-a em um baú e o jogou ao mar. O baú chegou à ilha de Sérifo, onde foi encontrado por Dictis, que, após o nascimento de Perseu, criou o menino.
Perseu tornou-se um grande homem, forte, ambicioso, corajoso, aventureiro e protetor da mãe. Polidectes, com medo de que a ambição de Perseu o levasse a lhe usurpar o trono, propôs um torneio no qual o vencedor seria quem trouxesse a cabeça da Medusa. O instinto aventureiro de Perseu não o deixou recusar. Conhecendo sua mãe, Perseu disse que iria participar do torneio, mas não disse que iria enfrentar a Medusa, com receio de que ela o impedisse. Da batalha contra o monstro, saiu vitorioso graças à ajuda de Atena, Hades e Hermes. Atena deu a ele um escudo tão bem polido, que tal qual num espelho, podia se ver o reflexo ao olhar para ele. Hades lhe deu um capacete que torna invisível quem o usa, e Hermes deu a ele suas sandálias aladas; três objetos que foram definitivos para a vitória de Perseu.
Então, Perseu, guiado pelo reflexo no escudo, sem olhar diretamente para a Medusa, derrotou-a cortando sua cabeça e a ofereceu à deusa Atena. Dizem, inclusive, que, quando Medusa foi morta, o cavalo alado Pégaso e o gigante Crisaor surgiram de seu ventre. Também dizem que as outras duas irmãs de Medusa, Esterno e Euriale, até hoje perseguem Perseu, mas este - fazendo-se valer das sandálias aladas que Hermes lhe dera e do capacete que recebera de Hades - sempre consegue escapar das garras das Górgonas.
Pois é, amigo diário!... Com tantas lendas, mitos e histórias afins rolando pelos bosques do Olimpo, meu tempo anda escasso, por isso não mais havia te procurado. Entanto, aqui estou de volta, e tudo farei para que juntos possamos estar com mais frequência.

sexta-feira, 9 de março de 2012

BREVES PALAVRAS SOBRE JOCASTA

Querido Diário,

Algum tempo atrás, contei-lhe UM POUCO SOBRE ÉDIPO, filho de Laio (rei de Tebas) e de Jocasta, com quem mais tarde teve um relacionamento incestuoso. E hoje aqui estou para falar um pouco sobre Jocasta, esposa de Laio (rei de Tebas) e mãe de Édipo.
Quando um oráculo profetizou que o filho de Jocasta mataria seu pai, Laio furou os tornozelos da criança e abandonou-a numa montanha. A criança, salva por um pastor, foi batizada de Édipo e adotado por Pólibos, rei de Corinto. Mais tarde, quando o oráculo em Delfos proclamou que ele mataria seu próprio pai e se casaria com sua mãe, Édipo - não querendo provocar qualquer dano à Pólibos - deixou Corinto.
Na estrada para a Beócia, Édipo discutiu com um estranho e o matou, pois acreditou tratar-se de um assaltante. A vítima era seu pai verdadeiro, Láio. Acreditando que seu filho estava morto, Jocasta não reconheceu Édipo quando ele reapareceu em Tebas como um rapaz. O jovem salvou a cidade da esfinge e, como recompensa, desposou Jocasta, que lhe deu quatro filhos.
Quando descobriu que Édipo era seu filho e, também, seu marido, Jocasta - em horror e desespero pelo seu relacionamento incestuoso - enforca-se em seu quarto. Édipo, ao ver tal cena, fura seus próprios olhos como meio de punição por ter consumado matrimônio com sua mãe e matado seu pai. Ao fim, Édipo pede o enviem para longe da cidade para que possa viver desterrado, longe de sua vergonha.
É, querido diário!... seria uma linda história de amor não fosse a maior tragédia incestuosa já registrada nos anais mitológicos!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

AS VALQUÍRIAS
(Wikipédia)

Amado diário,

Quem é vivo um dia aparece!... E cá estou, encantando com a história das Valquírias, história essa que ouvi de um colega de alojamento quando participei de um intercâmbio entre estudantes mitológicos na Escandinávia. Segundo ele, na mitologia nórdica, as valquírias eram deidades menores, servas de Odin. O termo deriva do nórdico antigo valkyrja (em tradução literal significa "as que escolhem os que vão morrer").
As valquírias eram belas jovens mulheres que, montadas em cavalos alados e armadas com elmos e lanças, sobrevoavam os campos de batalha escolhendo quais guerreiros (dentre os mais bravos) recém-abatidos entrariam no Valhala. Elas o faziam por ordem e benefício de Odin, que precisava de muitos guerreiros corajosos para a batalha vindoura do Ragnarok.
As valquírias escoltavam esses heróis, que eram conhecidos como Einherjar, para Valhala, o salão de Odin. Lá, os escolhidos lutariam todos os dias e festejariam todas as noites em preparação ao Ragnarok, quando ajudariam a defender Asgard na batalha final, em que os deuses morreriam. Ainda segundo o colega de alojamento, devido a um acordo de Odin com a deusa Freya - que chefiava as valquírias -, metade desses guerreiros e todas as mulheres mortas em batalha eram levadas para o palácio da deusa.
As deidades servas de Odin cavalgavam nos céus com armaduras brilhantes e ajudavam a determinar o vitorioso das batalhas e o curso das guerras. Elas também serviam a Odin como mensageiras, e quando cavalgavam como tais, suas armaduras faiscavam causando o estranho fenômeno atmosférico chamado de Aurora Boreal.
Tão interessado fiquei pela história das Valquírias, que anotei na minha caderneta os seus nomes originais a fim de procurar - na internet – os seus respectivos singnificados: Brynhild (correspondente de batalha, muitas vezes confundida com Brunhilde, da Saga dos Nibelungos), Sigrun (ruína da vitória), Kara, Mist, Skogul (batalha), Prour (força), Herfjotur (grilhão de guerra), Raogrior (paz do deus), Gunnr (lança da batalha), Skuld (aquela que se torna), Sigrdrifa (nevasca da vitória), Svana, Hrist (a agitadora), Skeggjold (usando um machado de guerra), Hlokk (estrondo de guerra), Goll (choro da batalha), Randgrior (escudo de paz), Reginleif (herança dos deuses), Rota (aquela que causa tumulto) e Gondul (varinha encantada ou "lobisomem").
Uma história simplesmente fascinante, não é mesmo, diário amigo???

segunda-feira, 30 de maio de 2011

O MITO DE CÉFALO E PRÓCRIS: A INFIDELIDADE FATAL
(Lúcia, Mitologia Grega)

Amantíssimo diário,

De volta do Mediterrâneo, deparei-me com uma intrigante e extasiante história de amor, que, devido ao excesso de ciúme e desconfiança, resultou numa tragédia. Trata-se da trágica história de amor de história de Prócris e Céfalo.
Prócris era casada com o Rei Céfalo da Tessália. Amavam-se com profunda ternura, porém sua felicidade terminou quando Eos, deusa da aurora de dedos cor-de-rosa, apaixonou-se por Céfalo e raptou-o para que vivesse ao seu lado. Apesar de toda a sua beleza, ela não conseguiu conquistar o amor de Céfalo. Por fim, perdendo as esperanças, consentiu que ele retornasse para viver com a esposa.
No entanto, sentindo-se abandonada pelo amante, Eos sugeriu que a sua esposa Prócris teria um amante e aconselhou a Céfalo de se disfarçar em um rico mercador e tentar seduzir Prócris com ricos presentes, prometendo-lhe muitos outros presentes caso ela se entregasse a ele. Assim colocaria à prova a fidelidade da esposa e mostraria o quanto os homens são crédulos e ingênuos.
Inicialmente, Céfalo relutou, mas disfarçou-se e fez a corte a Prócris com tanto êxito que afinal ela lhe prometeu ser sua. Nesse momento Céfalo arrancou furioso o disfarce revelando sua identidade, concordando com tudo que lhe havia dito Eos: todas as mulheres são infiéis e os homens são fáceis de enganar. Prócris ficou envergonhada e se exilou em outro país, abandonando Céfalo a seus tristes pensamentos.
Passado algum tempo, Prócris conquistou os favores da deusa Ártemis, que lhe presenteou com uma lança que nunca falhava o alvo e um cão que nunca deixava de trazer a sua presa. De posse desses bens preciosos voltou com um disfarce à sua casa e Céfalo não a reconheceu. Vendo que o dardo nunca errava o alvo, voltando às mãos de quem o lançava e do cão que sempre trazia a caça a seu dono, Céfalo sentiu ardente desejo de possuí-los. Tentando obtê-los, ofereceu sua prata e seu ouro em troca, mas Prócris desprezou o pagamento; em troca exigiu que Céfalo jurasse que nunca amou sua esposa infiel, que a tinha esquecido e ficaria com ela.
Céfalo recusava a cometer o perjúrio, mas desejava tanto a lança e o cão de caça que acabou jurando. Prócris retirou o disfarce e mostrou a Céfalo como era frágil a sedução em função de um desejo ou de um interesse. E sendo ambos culpados, ela propôs que eles esquecessem o passado, renovassem os votos de amor para viverem felizes sem desconfianças. Céfalo se sentiu feliz em ter novamente a esposa em seus braços. Prócris deu a Céfalo a lança e o cão para que pudesse caçar e passaram a viver em completa felicidade.
Certo dia fazia muito calor e Céfalo pediu: - “Vem, brisa suave, vem afagar-me. Sabes quanto te amo! Tu tornas deliciosos os bosques e minhas caminhadas solitárias!”... Alguém, que por acaso ouviu as declarações de Céfalo, foi contar a Prócris que seu marido estava no bosque invocando carinhos em altas vozes e que poderia ser de alguma mulher com quem tinha encontros amorosos, enquanto Prócris supunha que estivesse a caçar. No mesmo instante renasceram as suspeitas e os ciúmes de Prócris.
No dia seguinte, quando seu marido pegou da lança e chamou o cão, Prócris o seguiu secretamente escondendo-se atrás das folhagens para não ser vista. Quando Céfalo ergueu os braços e pediu ao vento que o refrescasse, Prócris inclinou-se para melhor ouvir o que ele dizia. Ela queria saber o nome da sua rival.
No entanto, o ruído nas folhagens chamou a atenção de Céfalo que, supondo tratar-se de um animal selvagem, arremessou sua lança infalível contra a folhagem de onde vinha o ruído. Com o coração transpassado, Prócris caiu com grito de agonia. Assim morreu a bela esposa de Céfalo, cujo fim foi motivado pela maledicência alheia e pela injustificada desconfiança. Em suas últimas palavras, Prócris suplicou que Céfalo nunca se casasse com a odiosa Brisa...

domingo, 24 de abril de 2011

A LENDA DE TRITAO
(www.infopedia.pt/$tritao)

Querido amigo diário,

Não resisti aos encantos encontrados no Mediterrâneo e voltei à “Ilha das Sereias”, pois a vontade de revê-las dominava-me desde aquela meu último cruzeiro por “mares nunca dantes navegados”. Porém, lá chegando tive uma desagradável surpresa: não encontrei as sereias tomando seu já tradicional banho de sol nos recifes. Quem lá eu vi – como se fosse o guardião da Ilha - foi um Tritão.
Segundo a mitologia grega, Tritão é um deus marinho, filho de Poseidon e Anfitrite; (originalmente, a personificação feminina do mar, filha do Titã Oceano), irmão de Rode, e residindo normalmente no mar, apesar de tardiamente lhe darem a residência num lago na Líbia chamado Trítonis.
Tritão assemelha-se a uma sereia-macho, ou seja, é representado com cabeça e tronco humanos e cauda de peixe. Diz a lenda que ele tinha uma filha chamada Palas, companheira de infância de Atena, que a matou acidentalmente. Trítia, que teve um filho de Zeus chamado Melanipo, seria, também de acordo com uma outra lenda, filha de Tritão. Era esta Trítia uma sacerdotisa da deusa Atena.
Tritão ganhou notoriedade na mitologia grega com o seu auxílio à expedição dos Argonautas, pois indicou aos marinheiros o melhor caminho para atingirem o Mediterrâneo. Deu também, no quadro dessa gesta, um pedaço de terra a Eufemo, como agradecimento pela sua hospitalidade.
Outra lenda configura Tritão como uma personagem de maus instintos, um semideus ciumento e violento. Conta-se, inclusive, que numa festa em honra do licencioso deus Dioniso, em Tânagra, na Beócia, no centro da Grécia, um grupo de mulheres banhava-se num lago quando foi atacado por Tritão. Dioniso, ouvindo os apelos de socorro das mulheres, em auxílio destas acorreu ao lago, afastando Tritão. Nesta aura de figura selvática ou rude, também uma lenda narrava que Tritão semeava o terror nas margens do lago onde habitava, atacando rebanhos e roubando animais. Como a Polifemo, o Cíclope carcereiro de Ulisses e seus homens teriam um dia deixado uma ânfora de vinho nas margens do lago de Tritão. Este, sentindo o seu cheiro, logo acorreu ao local onde estava o precioso néctar e tratou de bebê-lo, ficando ébrio e sonolento. Adormecido, foi então alvo de um furioso ataque, no qual o mataram a golpes de machado. Acabavam assim as devastações em torno do lago e assim se criou o mito da vitória de Dioniso sobre Tritão.
São vários os seres que recebem a designação de Tritão (os Tritões) na mitologia grega, todos eles do séquito de Poseidon e muitas vezes considerados como filhos de Tritão. As suas trompas eram conchas, nas quais sopravam para assustar os marinheiros. Quando lhes apetecia, sabiam também retirar belas e suaves melodias da concha, consideradas músicas inigualáveis, conforme se pode ver na célebre fonte do Tritão, em Roma, que representa perfeitamente este conjunto iconográfico.
E temendo ser vítima daquele ser não tão encantador como as sereias, pedi ao timoneiro condutor da nau que desse meia-volta e seguisse por outros “mares nunca dantes navegados”.

quinta-feira, 31 de março de 2011

A FÊNIX

Querido diário,

Como eu havia prometido no nosso último encontro, hoje contarei a história da FÊNIX, uma ave mítica repleta de penas vermelhas e douradas que emite raios de luz através de seu corpo.
Segundo nosso guia turístico, o historiador Rainer Sousa, algumas lendas relatam que essa criatura teria nascido nas terras do Oriente e se alimentava com incenso, raízes cheirosas e óleos de bálsamo. Sendo muito comum na literatura greco-romana, essa criatura tem também sua representação registrada em diferentes bestiários do período medieval.
Diferente de tantos outros animais encontrados na natureza, a fênix tinha a incrível capacidade de se reproduzir sem a necessidade de um parceiro. De fato, a concepção de uma fênix acontecia no momento em que um exemplar se encontrava em seus últimos momentos de vida. A partir do corpo de sua mãe, uma nova fênix surgia com a capacidade de viver o mesmo tempo da genitora. Conforme relatos diversos, a fênix poderia viver por exatos quinhentos anos.
Tendo descrições bastante diversas, alguns escritores dizem que a jovem fênix, após adquirir certo vigor físico, realiza um ritual funerário em homenagem à sua mãe. Ela constrói um pesado ovo de mirra onde deposita os restos mortais de seu genitor. Depois disso, vai ao templo do Deus Sol, na cidade egípcia de Heliópolis, onde deposita o ovo por ela construído. Em geral, diversas culturas, tanto ocidentais como orientais, apresentam relato sobre este pássaro.
A lenda da fênix sobreviveu por diversos séculos, chegou a causar uma ligeira polêmica com respeito à sua real existência. No século XVII, o escritor Thomas Browne afirmou categoricamente que uma ave com tais características jamais existiu. Em contrapartida, poucos anos depois, Alexander Ross colocou em xeque esse veredicto ao sugerir que essa ave não poderia ser vista, pois sua vida reclusa fazia parte de seu próprio instinto de sobrevivência.
Disse ainda o nosso guia turístico que para além dessas discussões sobre a veracidade da fênix, o seu relato permite a compreensão de valores bastante interessantes ao homem. O mais importante deles se refere à circularidade do tempo e o processo de renovação das coisas. No momento em que se prepara para a própria morte, a fênix demonstra claramente a limitude da existência. Em contrapartida, salienta a continuidade do mundo no momento em que só pode gerar uma nova vida mediante o fim da sua.
Pois é, diário amigo, essas minhas férias serviram para mostrar-me que além das paredes do Olimpo há outros mundos fantásticos a serem desbravados.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O FANTÁSTICO LEÃO DE NEMÉIA

Diário amigo,

Durante as minhas férias, pelos lugares por que passei, ouvi histórias fantásticas. E uma que muito me chamou a atenção foi a do LEÃO DE NEMÉIA.
Segundo disseram, o leão de Neméia é uma criatura da mitologia greco-romana que habitava a planície de Neméia, na Argólida, aterrorizando toda aquela região. A terrível fera não podia ser morta por um homem normal e todos os que tentavam enfrentá-la ficavam completamente aterrorizados pelo seu rugido, que podia ser ouvido a quilômetros de distância. Além disso, arma alguma podia penetrar o couro do animal, e todos que tentavam matá-lo com lanças ou flechas acabavam sendo devorados.
A origem do Leão da Neméia é muito controvertida. De acordo com algumas versões, ele era tido como filho de Tifão e Equidna. Outras lendas o dão como fruto da união de Equidna e seu próprio filho Ortros, o cão de duas cabeças. Outra versão é a de que o leão seria filho de Cérbero com Quimera, e, portanto, neto de Tifão e Equidna.
No primeiro dos seus famosos doze trabalhos, Héracles recebeu de Euristeu a missão de derrotar o Leão de Neméia, para dar fim à devastação que este causava. De início, Héracles tentou atingi-lo com suas flechas, inutilmente. Irritado, o herói aplicou com sua clava um golpe tão tremendo na cabeça do animal, que este caiu desacordado. Depois de estrangulá-lo, Héracles extraiu o couro do animal com as próprias garras, uma vez que nenhuma arma de ferro conseguia cortá-lo ou perfurá-lo. A partir daí, Héracles passou a usar sua pele como um manto protetor, com a cabeça do leão servindo-lhe de elmo.
E as fantásticas histórias, diário querido, não param por aí não!... Há muitas outras ainda mais fantásticas, dentre as quais uma me encantou: a história da Fênix. Mas essa eu lhe contarei no nosso próximo encontro.

quinta-feira, 24 de março de 2011

O MITO DA SEREIA
(Wikipedia)

Queridíssimo diário,

Quanto tempo, heim?!...
Pois é!... Resolvi tirar férias (e dar-lhe, também)!... E durante as férias, fiz um cruzeiro por “mares nunca dantes navegados”. E numa dessas viagens, estive na ilha das sereias, lá pelas bandas do Mediterrâneo.
Segundo os historiadores, sereia é um ser mitológico, parte mulher e parte peixe. É provável que o mito tenha tido origem em relatos da existência de animais com características próximas daquela que mais tarde foram classificados como sirénios.
Filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore, tal como as harpias, habitavam os rochedos entre a ilha de Capri e a costa da Itália. Eram tão lindas e cantavam com tanta doçura que atraíam os tripulantes dos navios que passavam por ali para os navios colidirem com os rochedos e afundarem. Odisseu, personagem da Odisséia de Homero, conseguiu salvar-se porque colocou cera nos ouvidos dos seus marinheiros e amarrou-se ao mastro de seu navio, para poder ouvi-las sem poder aproximar-se. As sereias representam, na cultura contemporânea, o sexo e a sensualidade.
Na Grécia Antiga, porém, os seres que atacaram Odisseu eram, na verdade, retratados como sendo sereias, mulheres que ofenderam a deusa Afrodite e foram viver numa ilha isolada. Se assemelham às harpias, mas possuem penas negras, uma linda voz e uma beleza única.
Algumas das sereias citadas na literatura clássica são:

• Pisinoe (Controladora de Mentes),
• Thelxiepia (Cantora que Enfeitiça),
• Ligeia (Doce Sonoridade),
• Aglaope,
• Leucosia,
• Parténope.

Supunha-se que as sereias, embora tivessem inteligência humana, não tinham alma. Podiam, entretanto, conseguir uma alma se aceitassem ser batizadas ou - segundo algumas versões - se elas se casassem com um humano. E de acordo com a lenda, o único jeito de derrotar uma sereia ao cantar seria cantar melhor do que ela.
Pois é, amigo diário!... voltei desse cruzeiro inda mais encantado com as histórias oriundas da Mitologia e, principalmente, com os seres que delas fazem parte.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ELECTRA, A PRINCESA DE MICENAS
(pt.wikipedia.org)

Amado amigo diário,

Após um longo período de férias no Egito, retornei ao Olimpo. Antes, porém, passei por e Micenas, um sítio arqueológico na Grécia, localizado cerca de 90 km a sudoeste de Atenas. Lá encontrei a princesa daquele sítio, Electra, filha de Agamênon e Clitemnestra, e irmã de Orestes e Ifigênia.
A rainha Clitemnestra, atormentada pelo sacrifício de Ifigênia, une-se ao sobrinho do esposo, o príncipe Egisto, que fora perseguido por Agamênon e privado de seus direitos. Retornando a Micenas durante a guerra de Tróia, Egisto une-se à rainha, com quem tem um filho, Aletes. Os dois amantes aguardam o retorno do rei para consumar a vingança.
Após o assassinato do pai por Egisto e Clitemnestra, Electra é poupada pela mãe. Mas consome-se pela perda do pai, Agamênon, a quem adorava. Pedia aos deuses que lhe enviassem um meio de vingar sua morte. Suas preces foram atendidas por seu irmão Orestes, a quem salvou da morte em criança. Prevendo o que viria com a volta de Egisto, confiou-o em segredo a um velho preceptor, que o levou para longe de Micenas. Por tudo isto, era tratada no palácio como escrava. Temendo que a enteada tivesse um filho que um dia pudesse vingar a morte de Agamênon, Egisto fê-la casar-se com um pobre camponês. O marido, todavia, respeitou-lhe a virgindade. Mas é chegado o dia do retorno de Orestes. Electra, então, o guiará até os assassinos de seu pai. Quando, após a morte de Egisto e Clitemnestra, Orestes foi envolvido e "enlouquecido" pelas Erínias, ela colocou-se a seu lado e cuidou do irmão até o julgamento final no Areópago de Atenas. Após ser absolvido pelo voto de Atena, Orestes e Pílades, seu amigo, partem para Táurida em busca de uma estátua de Ártemis. Lá encontrarão Ifigênia como sacerdotisa de Ártemis. Retornam todos a Micenas e, após as núpcias de Orestes com Hermíone, Electra casa-se com Pílades.
É, amigo diário!... pensei que, estando ausente do Olimpo por algum tempo, as coisas fossem mudar!... Mas parece-me que os conflitos familiares e as orgias entre parentes continuam do mesmo jeito.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

NÉFTIS, A DEUSA EGÍPCIA DOS MORTOS
(Wikipédia)


Amigo Diário,

Há muito tempo não registro nada aqui. Tudo por causa da escassez de tempo, pois ando muito ocupado com trabalhos da escola. E por falar em escola, o professor de História nos pediu que fizéssemos um trabalho sobre Néftis, uma divindade da mitologia egípcia que representava as terras áridas e secas do deserto e a morte. Foi ela, inclusive, quem ajudou Ísis a recolher os pedaços de Osíris quando Seth o destruiu (essa história contarei depois). O nome Néftis significa "Senhora da Casa" ou "Senhora do Castelo", entende-se como casa o lugar onde Hórus vive.
Por oposição a sua irmã, cujo culto era celebrado em diversos templos, Néftis não era venerada de forma isolada, privando-se assim de uma existência autônoma, fato que justificava a sua constante aparição ao lado de Ísis. A sua associação ao Culto dos Mortos aflorou do mito osírico, no decorrer do qual a sua presença é incontornável.
Néftis é representada como uma mulher com cabeça de cobra ou uma serpente com cabeça de mulher, uma cobra ou um escorpião com cabeça de mulher ou um simples escorpião (cruz-credo!!!). Na maioria das vezes era como uma mulher com asas e o seu nome em hieróglifo na cabeça.
Segundo as escrituras egípcias, Néftis e Ísis são incumbidas de velar pelos mortos. Por conseguinte, Néftis era representada na cabeceira dos sarcófagos reais do Império Novo, enquanto que Ísis surgia aos pés dos sarcófagos, da mesma forma várias vezes eram evocadas em cenas de julgamentos dos mortos.
As duas deusas e irmãs são efígies do "barco que transportaria o defunto na sua derradeira viagem até o paraíso". Deste modo, e juntamente com Selkis e Neit, oferecem a sua proteção aos vasos canópicos, onde as vísceras do falecido eram conservadas
Algumas versões contam que Néftis fora seduzida por Osíris. Seth, com suposta inveja do irmão, destruiu Osíris, partindo seu corpo em pedaços. Ísis e Néftis - que também não tolerava a conduta de Seth, embora este fosse seu marido - recuperaram todos os fragmentos do cadáver, à exceção do seu pênis, que fora comido por um peixe, mas que Ísis refez, com magia. Em seguida, Ísis organizou uma vigília fúnebre, na qual suspirou ao cadáver reconstituído do marido: “Eu sou a tua irmã bem amada. Não te afastes de mim, clamo por ti! Não ouves a minha voz? Venho ao teu encontro e, de ti, nada me separará!” Durante horas, Ísis e Néftis, com seus corpos purificados, inteiramente depiladas, com perucas perfumadas e bocas purificadas por natrão, pronunciaram encantamentos numa câmara funerária, impregnada por incenso.
É, amado diário, percebe-se que não é só na Mitologia Grega que encontramos histórias funestas e/ou incestuosas!... Basta embrenhar-se um pouco mais a fundo pela História Antiga para encontrar muitas histórias esquisitas mundo afora!!!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O DESAPARECIMENTO DA RAINHA NEFERTITI
(Wikipédia)

Meu diário confidente,
Mesmo diante do incômodo fato de não ter gerado nenhum varão, Nefertiti sempre acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado, porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amen-hotep ela esvanece, e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.
Este desaparecimento foi interpretado, inicialmente, como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objetos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a visão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável foi o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.
Uma hipótese que procura explicar o silêncio das fontes considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Ankhetkheperuré Nefernefernuaton. Esta mudança estaria relacionada à sua ascensão ao estatuto de co-regente. Ainda segundo a mesma hipótese, quando Akhenaton faleceu Nefertiti mudou novamente de nome para Ankhetkheperuré Semenkharé e governou como faraó durante cerca de dois anos. Há ainda uma outra hipótese: como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti, pois a consideravam o braço direito de Akhenaton. Sua morte teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o Projeto do "Deus Único", representado por Aton. Cerca de dois anos depois, Akhenaton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti - Meritaton, foi elevada ao estatuto de "grande esposa real". O seu reinado foi curto, pois segundo historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas Tuthankamon, então com 9 anos, e sua outra irmã, Ankhesenamon, com 11 anos.
E como não bastassem as tantas desventuras na vida de Nefertiti, alguns estudiosos (para não dizer fofoqueiros) especulam que toda essa história rodeada de mistérios poderia se tratar, simplesmente de amor entre iguais, entre dois homens, dadas as características singulares de Akhenaton.
Um verdadeiro absurdo, diário amigo, e uma grande falta de respeito à memória da grande rainha Nefertiti!...

sábado, 17 de julho de 2010

A VIDA FAMILIAR DE NEFERTITI
(Wikipédia)

Pois bem, querido diário, dando continuidade à história de Nefertiti, falo agora um pouco da sua vida familiar.
Ela teve seis filhas com Akhenaton: Meritaton, Meketaton, Ankhesenpaaton, Neferneferuaton, Neferneferuré e Setepenré. Pensa-se que as três primeiras filhas nasceram em Tebas antes do sexto ano de reinado e as três últimas em Akhetaton, entre o sexto e o nono ano de reinado.
A segunda filha do casal, Meketaton, faleceu pouco antes do décimo segundo ano de reinado. Segundo informações, essa filha teria morrido afogada.
Durante o reinado de Akhenaton espalhou-se por todo Egito uma peste, além de um surto de malária, conhecido na época como "doença mágica" que matou 3 filhas do casal, além de quase ceifar a vida de Tuthankamon.
Nefertiti era a mulher mais bela da época e Akhenaton não tinha os traços dos egípcios conhecidos.
Akhenaton teve, ainda, dois filhos com Kia, uma esposa secundária: Nebnefer, que morreu durante o surto de peste e Tutankhaton, que depois que voltou a Tebas foi obrigado a mudar seu nome para Tuthankamon, pois depois da morte de Akhenaton, o Deus Aton, foi proscrito por alguns anos. Kia teria morrido no parto de Tutankhamon, e a mesma serviu apenas para dar a Akhenaton dois filhos homens para continuar o reinado, visto que Nefertiti não conseguia gerar filhos varões.
Bem, amado diário, em nosso próximo encontro eu lhe falarei sobre o desaparecimento da rainha Nefertiti.
Até lá!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A RAINHA NEFERTITI
(Wikipédia)

Meu querido amigo Diário,

Há muito tempo não lhe confidencio nada, mas a minha ausência tem uma justificativa: tirei férias a fui dar um passeio pelo Egito.
A mitologia daquele país é tão encantadora quanto a nossa e a romana. Magníficas histórias eu tenho para contar-lhe, a começar pela da estonteante e enigmática Nefertiti, cujas origens familiares são pouco claras.
O seu nome significa "a mais Bela chegou", o que levou muitos investigadores a considerarem que Nefertiti teria uma origem estrangeira, tendo sido identificada por alguns como Tadukhipa, uma princesa do Império Mitanni (império que existiu no que é hoje a região oriental da Turquia), filha do rei Tushratta. Sabe-se que durante o reinado de Amen-hotep III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitanni para integrar o harém do rei, num gesto de amizade daquele império para com o Egito. Nefertiti pode ter sido uma dessas mulheres, que adotou um nome egípcio e os costumes do país.
Contudo, nos últimos tempos tem vingado a hipótese de Nefertiti ser egípcia, filha de Ay, alto funcionário egípcio responsável pelo corpo de carros de guerra que chegaria a ser faraó após a morte de Tutankhamon. Ay era irmão da rainha Tié, esposa principal do rei Amen-hotep III, o pai de Akhenaton; esta hipótese faria do marido de Nefertiti o seu primo. Sabe-se que a família de Ay era oriunda de Akhmin e que este tinha tido uma esposa que faleceu (provavelmente a mãe de Nefertiti durante o parto), tendo casado com a dama Tié.
De igual forma o nome Nefertiti, embora não fosse comum no Egito, tinha um alusão teológica relacionada com a deusa Hathor, sendo aplicado à esposa real durante a celebração da festa Sed do rei (uma festa celebrada quando este completava trinta anos de reinado).
Não se sabe que idade teria Nefertiti quando casou com Amen-hotep (o futuro Akhenaton). A idade média de casamento para as mulheres no Antigo Egipto eram os treze anos e para os homens os dezoito. É provável que tenha casado com Amen-hotep pouco tempo antes deste se tornar rei.
Pois é, Diário amigo, essa é só uma pequena parte da história da belíssima Nefertiti, e em breve voltarei para falar-lhe mais sobre ela.

terça-feira, 30 de março de 2010

AGAMEMNON

Querido amigo diário,
Ontem, na aula de História, conheci um pouco da história do pai de Ifigênia e Electra, Agamemnon, um dos mais distintos heróis gregos, filho do rei Atreu de Micenas e da rainha Aerope/Érope, e irmão de Menelau.
Ele foi o comandante supremo dos gregos durante a guerra de Tróia; e diz a lenda que durante a luta, Agamémnon matou Antifo. O condutor de carros de Agamémnon, Halaeso, lutou mais tarde com Eneias, em Itália.
Segundo o professor, a Ilíada conta a história da briga entre Agamémnon e Aquiles no ano final da guerra. Agamémnon tomou para si uma escrava atrativa e espólio de guerra, Briseis, que era de Aquiles. Aquiles, o maior guerreiro da altura, saiu da batalha por vingança, e quase custou a guerra aos gregos
Atreu, o pai de Agamémnon, foi assassinado por Egisto, que se apoderou do trono de Argos e governou juntamente com o seu pai Tiestes. Durante este período, Agamenon e Menelau procuraram refúgio em Esparta. Casaram-se com as princesas espartanas Clitemnestra e Helena, respectivamente. Agamenon e Clitemnestra tiveram quatro filhos: três filhas, Ifigênia, Electra, Crisotêmis e um filho, Orestes.
Menelau herdou o trono de Esparta, enquanto Agamémnon, com a ajuda do irmão, expulsou Egisto e Tiestes para recuperar o reino do seu pai. Alargou os seus domínios pela conquista, e tornou-se o rei mais poderoso da Grécia.
Contudo, a história da família de Agamémnon, indo até o lendário rei Pélope, tinha sido manchada por violação, assassínio, incesto, e traição.
Ainda de acordo com as palavras do professor, os gregos acreditavam que este passado violento lançou infortúnios sobre a inteira Casa de Atreu.